terça-feira, abril 26, 2016

Silêncio, já é madrugada

Ele nem percebeu, mas o meu olhar deu duas voltas na praça e chorou. Chorei rios de lembranças e todas as horas que ele chegou atrasado. Chorei os rios represados de todas as dores que ele me fez passar. Chorei da saudade que sentiria e do ódio de deixá-lo ir sem resistir. Nunca me deixei ir. Era pra ficar porque gente me cansava ao extremo. Deixei o anjo ir e isso...isso eu nunca me perdoarei ter voado o mais longe que pude dele...

domingo, abril 24, 2016

Faquir

Tinha tantas fomes
que um dia ao vê-lo
comeu seus olhos e levou o coração como sobremesa.

O amor dele era souvenir.

PROMESSA

prometo
nunca acordar
enquanto
por distração
tua boca
descansar na minha.

(DV)

sexta-feira, abril 01, 2016

Capitão

dos olhos
de janela
aberta

da boca
sua
língua
solta

nas palavras
os beijos
que te darei
um dia.

Dira Vieira

sexta-feira, março 11, 2016

Fuligem

na boca
o batom
é a saudade
escorrendo por excesso

desejo antigo
língua afiada
na tua índole

eu que sei
das dores que pinto na cara
e no gole em seco
das decepções diárias

eu que sei...

Devoção

toque aqui
o que tens é a mim

pele sobre pele
em uma anatomia
úmida

o que eu sou:
a tua boca criando linhas
e abismos
onde nem sempre é castigo e dor...

Dira Vieira

pelos teus dedos

...e como ao espelho
deixo que me venças
sem impedir
quando inadvertidamente
mergulhas mundo a dentro
do meu vestido

Dira Vieira
a tua boca
imoral
e quase tímida
treme
quando eu digo
que a quero
vermelha de pele
de tantas esperas.
AVASSALADOR

e se não der para
te ler
tomando vinho
e mordendo peles

que a vida beba
tuas chuvas
e me afogue
saliva cheiro e suores

porque os desejos
não cabem
aos gênios da lâmpada

então vai lá
a paixão
e toma

num gole só
sem culpas.

Dira Vieira

segunda-feira, novembro 02, 2015

(trocou as pernas pelas palavras e saiu cruzando letras por aí até esbarrar no olhar que a abraçou de corpo inteiro).