segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Para anoitecer as vontades 2

que as tuas pernas
se confundam
entre as minhas

e que tuas mãos
produzam
em mim
uma poesia
nua
sem sombras de culpas
e meias verdades.

domingo, fevereiro 15, 2015

Uma canção pra você

Eu queria uma canção que chamasse de minha. Uma canção que dançasse pra você sorrir. Eu queria uma canção que me ensinasse e entender as partidas e as despedidas sempre tão doloridas.
Há um azul em mim e uma vontade de correr mundo a fora sem explicações ou roteiros fixos e saudades. 
Eu queria uma canção que não te fizesse ir embora toda vez que pensou em voltar. Que me fizesse casa e porto seguro. Uma canção que dedilhasse mapas e florestas na tua pele sobre a minha. Eu queria uma canção com o teu nome. E que eu a cantasse até que a lua cheia me trouxesse você.

segunda-feira, junho 23, 2014

que sua língua
seja
o azul
que me comove
a pele em brasa.
"Tem gente que tem cheiro de rosa, de avelã,
Tem o perfume doce de toda manhã
Você tem tudo, você tem muito..."

Eu nunca acredito quando as pessoas saem por ai fazendo declarações apressadas. Mas gosto quando as pessoas constroem sentimentos como quem constrói uma casa sem muito dinheiro, aos poucos... dia a dia se emocionando com cada descoberta. É como acompanhar um filho desde o seu nascimento até já podendo andar sozinho...

É, tem gente que chega de repente e basta para que tudo mude. Assim... em um clique. E quando se pensa que nem tão cedo a chuva tocaria em mar todo o nosso pensamento... lá vem a urgência das tempestades e cava o que nem existia mais e se estabelece na pele como um novo óleo que umedece a pele e a alma...

que seja chuva o tanto que eu desejo
que seja o desejo
a chuva que me canta
porque em mim
toda morte é vida anunciada de outras almas...
manifesto

dos cheiros
o que não
senti
o da tua pele
que todos os convites 
comi.

DV
a alma em largura
não margeia
minhas lonjuras

tudo que em mim
é tão vasto... 

saudade pasto pensamento

amor imenso
cavalo livre
em baias fechadas.

porque
em mim
a língua solta
é estrada molhada
palavra que mastigo
entre teus dentes.

DV.
castigo


não é o beijo que se acumula na boca. 

é a língua que se aquece na palavra que chama
e manda embora. 

de todas as dores

a que não senti
foi a palavra dita
verbo
em lua derretida nos olhos
dessa madrugada

há de se fazer
chuva
quando tua poesia
me lavar de ti. 


Dira Vieira
Algumas fomes não existem no dicionário dos afetos. Se muito der, traduzimos no braille das ausências. 

Tua falta 
é um alfabeto
de ausências que
ardem na pele.

segunda-feira, maio 05, 2014


recital em preto e branco

(Para a letra que antecede o ritual da fala)


minha
saudade é tanta
tanta
e do que eu seria
tem a alma nas mãos
como se meu coração
fosse dedos
a tocar em mim
uma música nova composta por teus dentes em minha pele.

eu esperei a tua voz
como uma promessa
e chuva
molhando os planos
descritos em cenas e vários atos
era azul o batom
que me desenhou
arco iris
no teu globo ocular
de todas as cores
eu desenhei
o teu cabelo em minhas mãos
e era fumaça o sentimento
líquido que sonhavas
porque todo amor
é fútil
quando se acovarda das horas
e da verdade
porque o que sobrou em mim
é roteiro de
um recital de dúvidas
me sacode entranhas
e segredos
do teu nome em alfabeto grego
intenso
a me produzir sangue novo
em epidemia.
(DV)

domingo, fevereiro 02, 2014