domingo, fevereiro 10, 2013

do lado de dentro...





...e se eu não fosse pássaro talvez não pousasse sobre a tristeza de não poder fazer nada do lado de dentro dessas grades. porque quando sou lágrimas, sou-me saudade, solidão e asas.


Dira Vieira

sexta-feira, janeiro 11, 2013

do impossível...





a pele solta
lambe a palavra
e derrama 
o mel de sua língua

em um clichê
de poesia
letra

letra
que se contorce
em falta

em um inglês sem tradução
de um corpo
que se toca 
sozinho

enquanto se copia
o olhar
dele
menino solto 
pássaro na gaiola

de um céu 
e estrelas artificiais

o anjo que cansou de asas abertas
e saltou na vida real

sem o sangue que arde
no braille
de bocas que se entendem
por sí-la-bas
e líquidos. 

Dira

o que conto de mim



o que eu conto de mim tem a parte dele que sopra ao ouvido enquanto durmo.

o que eu escrevo tem metade de mim no suor da sua pele magra, como a carne que secou no varal e ficou ainda mais longe.

o que brilha é a pele, o marron que me comove
luz que escorre
choro, vela, missa de sétimos anos
líquidos de uma fala que cessou e fechou a avenida epitácio pessoa

o que eu conto de mim
é madalena em cabelos soltos
com os codinomes de uma fala rouca, sofrida
de quem ama
em vias de mão única
única pele
única dor
única cor de batom
única flor que se deixa murchar sem perder o sabor

o que conto de mim
tem o cheiro dele, os dentes bem brancos
e a poesia que eu pesco
na cor da pele
e na boca que pronuncia o silêncio
toda vez que penso nele

o que conto de mim
é tudo mentira
porque não falo do amor
que nunca morre
do desejo que nunca farta
e que tem todos os sons
menos o dele chamando a mim
na sala de janela aberta para a rua e uma tv ligada em canal algum

o que conto
reza madalena em todas as cores
e cetim. 

Dira Vieira

quarta-feira, novembro 28, 2012

Lua Cheia





toca a minha boca
em lua
enquanto te construo
palavras
ritos
mordidas

o que é de mim
é verbo
desejo formado
embebido em teu hálito

porque o que é meu
nem vai
nem fica

colore a língua
acalma a partida


e chamusca
a pele lambida
em fases.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Grito




porque o abraço
tem a dimensão
da distância

e a minha boca
a tua ausência

porque a palavra
desenha palco
quando o teu nome

engasga no peito.

Dira Vieira

domingo, novembro 11, 2012


Sussurro

troco as minhas pernas
pelas tuas
carícias de almodóvar
por baixo da mesa

e
a língua
(incansável discurso no ouvido)

é a palavra que veste
a minha pele de Braille.

Dira Vieira

quinta-feira, novembro 08, 2012




Paisagem

O pulso ainda toca
e o peito se enche da última hora
o que é eternidade se espalha e se mistura no ar

o que tem de mim
marca o narciso na alma



(e uma dor se mistura com o que sou)

o que sobra
desenha na aurora uma boca ávida

de lágrimas 

(o que sou tem em tua boca a tradução dos abismos)

tenho de mim todas as sedes de ti
e um dia nublado pra mastigar 

silenciosamente

como quem toca o outro lado
de todos os contrários.

(Dira Vieira)

domingo, outubro 14, 2012

Tatuando desejos




não compro os abismos, eles estão em tua fala doce que se esconde entre os acordes desse desejo noturno. não compro os riscos, eles vem na moldura que a tua língua traça toda vez que ensaia o meu nome. tenho todas as letras e o teu nome talhado em mim em esfinge em um domingo à noite, duro de engolir.

o teu amor
tomou a minha corrente sanguínea
e me entornou
em contrastes.

sexta-feira, setembro 14, 2012

Bebendo de suas ausências





Até que um dia eu possa conter as suas lágrimas em minhas mãos e possa-as beber como alimento do meu imenso amor por você. Porque o meu amor é como paisagem que lhe calça o longe, plantando flores para que o seu caminho seja mais perfumado 
e plantando luz para que onde passes todo o universo se molde para acolher a sua alma. Porque o meu amor pedirá a Deus todos os dias para que o seu sorriso seja perpétuo e a tua saúde seja o que mais lhe aproxime do amor de Deus.

E que eu nunca mais eu lhe diga o quanto o amo, porque dessa forma, diminuiria as estrelas no céu por cada vez que pronunciasse o seu nome em vão...

porque na verdade eu nem mais amo... sou-me misturada à sua pele e sentidos. porque a gaiola já nem existe e o meu corpo se estende como paisagem para receber a sua respiração quando tudo o mais lá fora for pesado demais para as tuas asas...

sexta-feira, agosto 17, 2012

sozinha

não acredito mais em nada. eu me sinto só e isso já dói suficiente por hoje.