porque o abraço tem a dimensão da distância e a minha boca a tua ausência porque a palavra desenha palco quando o teu nome engasga no peito. Dira Vieira
domingo, novembro 11, 2012
Sussurro troco as minhas pernas pelas tuas carícias de almodóvar por baixo da mesa e a língua (incansável discurso no ouvido) é a palavra que veste a minha pele de Braille. Dira Vieira
quinta-feira, novembro 08, 2012
Paisagem
O pulso ainda toca e o peito se enche da última hora o que é eternidade se espalha e se mistura no ar o que tem de mim marca o narciso na alma
(e uma dor se mistura com o que sou) o que sobra desenha na aurora uma boca ávida de lágrimas (o que sou tem em tua boca a tradução dos abismos) tenho de mim todas as sedes de ti e um dia nublado pra mastigar silenciosamente como quem toca o outro lado de todos os contrários.
não compro os abismos, eles estão em tua fala doce que se
esconde entre os acordes desse desejo noturno. não compro os riscos, eles vem
na moldura que a tua língua traça toda vez que ensaia o meu nome. tenho todas
as letras e o teu nome talhado em mim em esfinge em um domingo à noite, duro de
engolir. o teu amor tomou a minha corrente sanguínea e me entornou em contrastes.
Até que um dia eu possa conter as suas lágrimas em minhas mãos e possa-as beber como alimento do meu imenso amor por você. Porque o meu amor é como paisagem que lhe calça o longe, plantando flores para que o seu caminho seja mais perfumado
e plantando luz para que onde passes todo o universo se molde para acolher a sua alma. Porque o meu amor pedirá a Deus todos os dias para que o seu sorriso seja perpétuo e a tua saúde seja o que mais lhe aproxime do amor de Deus.
E que eu nunca mais eu lhe diga o quanto o amo, porque dessa forma, diminuiria as estrelas no céu por cada vez que pronunciasse o seu nome em vão...
porque na verdade eu nem mais amo... sou-me misturada à sua pele e sentidos. porque a gaiola já nem existe e o meu corpo se estende como paisagem para receber a sua respiração quando tudo o mais lá fora for pesado demais para as tuas asas...
e se eu conseguisse... era essa noite que de uma vez eu te derramaria de mim até secar... Dira
sábado, agosto 11, 2012
Eu não sei dançar, anjo "...e tudo o que posso te dar é solidão com vista pro mar..."
não queria mais esperar que a noite chegasse. queria-o
imediatamente, pois a sua espera se tornara uma dor quase insuportável de
sentir. sentia falta de falar menos e olhá-lo com todos os seus olhos de
quereres muito, de quereres tudo.
[quando o viu com aqueles olhos cobertos pela barba farta,
Madalena era a menina apaixonada e o moço inatingível de se ver... ela esperaria
a eternidade por ele...]
sentia-se colada nele, dentro dele, mas dentro sozinha... não
queria ser o anjo dele mas tocá-lo em suas asas, como uma fêmea aflita de
desejos que incendiavam os seus passos e pensamentos. madalena carrega fomes e
as suas garras afiadas, são delicadas o suficiente para respeitar o tempo dele. mas esperar o que não vem dói como um punhal que se crava no peito, sem que ninguém ouse arrancar...
nunca foi de jogos, de simulações e nem de armações.
madalena é o fogo aceso em tempo integral... ela mesma se acende e se apaga,
porque não sobrevive à indiferença e à humilhação e quando se abandona, até que tenta morrer... mas sempre acredito que nasça todos os dias e idas.
o tempo dele era um tempo de nunca. e quanto mais madalena o
desejava, mas a sua alma se unia a dele inutilmente, porque o corpo dela era a
ironia do desejo que se reparte em faces e o olha lascivamente como quem cobiça
a fruta mais doce, a mais pura... [em alguns momentos, madalena o ama como quem faz uma oração de desespero... pedindo a Deus a liberdade de amar tão intensamente que a isola do mundo e mergulha em lágrimas...]
não era tão inocente o que sentia por ele... pele e pêlos
que se mudavam de lugar toda vez que mencionava o seu nome... pele e pêlos que
se traduziam em rubores toda vez que sozinha, tentava expulsá-lo de sua mente,
mas o que sentia era a pele acender e a sua mente se mudava para o corpo dele,
base segura, onde os seus braços necessitavam morrer.
enquanto o anjo se vai, madalena se deixa desenhar em outra
nuvem... mas quando a noite cai e ele acena de seus voos sempre e sempre
solitários, madalena é dor que sangra e lateja... e implora uma volta que não é atendida nunca...
madalena é idiota. as vezes eu a odeio. aliás, a odeio
sempre. não existem anjos. porque a falta de materialização cansa de nunca
reproduzir o próprio gozo.
madalena é idiota. as vezes eu a odeio. aliás, a odeio
sempre, porque sempre mergulha onde o chão é areia movediça e o onde o
sofrimento se vê de longe.
no dia de hoje eu desejaria a morte para madalena e um asilo
para mim, porque amar sozinha é como morrer sangrando gota a gota... até a morte fingir tapete vermelho e fingir te alegrar...
Inquietações, desabafos, gritos, coisa alguma. A pele é a inscrição rupestre e a letra o meu testamento de vida. Sou aqui, uma carta em andamento, um dicionário de pequenos detalhes a cerca de mim mesma.
Email: dira.vieira@gmail.com