domingo, agosto 05, 2012
segunda-feira, julho 30, 2012
sexta-feira, julho 27, 2012
FRUTA MADURA
Imagem de Célio Diniz
Como água para chocolate assim o amor se derrama onde
encontra afago e proteção. É assim que Madalena se derrama sobre a paisagem,
abrindo o mote sobre as nuvens e nomeando as palavras compassadamente uma a uma
sobre o que sente... o que é meu é teu, e o que é teu tem a tradução do meu
olhar sobre o infinito e o teu olhar perdido que grita quando eu nem sei o que
fazer. Entrelaçados nos marcamos nessas linhas no olhar que se molda na
simplicidade do estar junto quando a noite se cala
.
Não é preciso muito para dizer o quanto sou o dentro e no
entorno...
... e por mais que me esquive e voe... e por mais que
resista e nomeie as fotografias, serás sempre a minha melhor imagem tatuada na
boca, hálito que descreve o teu gosto.
Porque tudo o que há em mim tem a sua mão moldando o meu
sonho... e por mais que voe longe, a porta se fecha em contrário e me atrai no
casulo para bem perto de ti. Os sonhos eu nem herdo, traço-os a mão como quem
muda o mundo.
E se isso é o que me resta dessa vida... adorno a vontade
e fico quietinha traduzindo a voz cortada, a vontade sufocada e o amor imenso
que trago por ti.
Como água para o chocolate o teu afeto é desejo derramado
sobre a boca salivando a esperança... enquanto formos antigos... e, assim, no
querer, sempre haverá quem traduza que o simples ganhará o mundo e salvará a
própria pele...
Fruta madura é a saudade... e o que vai ficar é o que
ganhamos da vida... afeto que se derrama em tua pele morna, fruta madura ainda
no pé.
Porque o amor tem sete chaves e o que me abre tem o
formato da sua boca... quando o dia se enfada das 24 horas e pede o descanso do
merecido sonho...
Não é o dom que me move... é amor que me desenha em
sementes e pétalas.
[... porque em mim o que grita é o que me calas... e o
que imploro é tempestade sobre nós até que essa fome acabe e esse silêncio nos
salve...]
Dira Vieira
domingo, julho 08, 2012
Canta pra mim, anjo...
inscrevi em teus olhos em uma cena em contrário quando o cenário estava completamente tomado por objetos que desafiavam a gravidade. eu levitava em suas mãos... sem ao sentir o teu toque...
eu me vi deitada sobre a tua iris, a mão pousada sobre a tua
pele desenhando um quadro impressionista. era azul a tua fala e eu te ouvia
sussurrar o meu nome quase em música.
essa não era a música que pedi para nós dois. toque outra,
tempo. cante outra, vento. mas não machuque mais essa pele que já não acredita
que o amor pode ser assim tão inocente quanto as palavras que disse a ele e ele
nem deu atenção.
fotografe a minha saudade, anjo, quando os dias se contam em
minutos desenhados na parede e eu tenho quase certeza que são poucos, finais de
um tempo fino e pausado. posso sentir em minhas mãos o hálito amparado pelo teu
não antes que me tocasse a alma.
ainda não é o tempo, meu anjo. ainda não, mas ele não tarda
e logo virá em que eu não precisarei mais de licença e nem códigos para te
desejar com a minha alma e as minhas mãos.
eu penso em você o tempo inteiro e sonho, anjo... e quando
não me restar mais as lembranças inventarei outras tantas, mágicas, quantas e
te criarei em vime, trocas, silêncios, até que o meu desejos seja a materialização
desse amor imenso em que eu teço em rendas e apetrechos nessa viagem... talvez
sem volta.
chore as minhas lágrimas, anjo. beba-as com a minha sede
tanta de teus olhos em mim e o teu cuidado me arrumando um lugar para deitar a
minha cabeça quando os meus olhos já houverem chorado o tudo. porque em mim a
tua ausência é um balde seco diante de um mar de águas quase insuportável de
beber porque já não há choro suficiente para te conter em mim, mar de anjo e
palavras...
canta em mim, anjo, como quem arruma a cama para deitar
enquanto a lua cheia entra sem piedade pela janela do quarto chorou enquanto
arrumava a cama para deitar sua dor. ensaiou carícias que poderia ser na pele
dele... pensou no que sonharia naquela noite, mas não conseguia parar de chorar
e de sentir a frieza de apenas algumas horas sem ti.
eu já nem tenho asas, anjo, porque enquanto as deixo abertas
é para ensinar aos outros que se aproximam que quando se prende se mata a
borboleta em nós. nunca ensinei ninguém a ficar, anjo, por isso vivo só, asas
abertas e pensamento longe. ali perto, em ti.
fica em mim, anjo quando não for mais possível ir embora sem
me levar em ti... para sempre.
*Imagem criada por Nilton Dias.
sábado, junho 16, 2012
Tire-me pra dançar, anjo
deixei a voz presa enquanto pensava o teu nome. era um
pássaro com asa dentro da minha blusa enquanto balbuciava a esperança. os seus
dedos em penas sobrevoavam a minha pele de fêmea, mas era Madalena quem
suspirava e não eu, que a tudo resistia melancolicamente. não podia voltar
àquele tempo em que fui tua. a menina doce, a mulher afoita e a Madalena que
adormecia silenciosamente entre as tuas asas.
enquanto falavas no altar, a menina sonhava e enrubescia
com a memória de silêncio e de odores que se faziam asas em páginas e páginas
em que te escrevia como em gritos.
não volto mais ao portão e o cachorro que latia quando a
noite se tornava tarde, agora jaz em alguma lembrança minha ou sua. não
resolvemos ainda essa parte da vida?
Madalena levantou após a fala, mas não tinha o rubor
facial que merecia aquela memória, ao contrário, ardia em pêlos e sentia a tua
pele levantar a alma da menina que guardava em si, e isso era pecado mortal.
(eu tenho
medo de tuas dúvidas, porque tenho medo de te perder...
não
brinca de achar o que estou pensando ou o que não estou, porque em mim, as únicas
fogueiras que queimam é as de uma inquisição particular e íntima).
e mesmo que o meu amor seja bem maior que o seu, a fala é a
minha retirada de cena, quando o que me resta é arrumar as malas dentro de nós
e pegar a estrada antes que a noite me desnude.
sufoco em mim o rubor facial quando o teu olhar me tira a pele e me chama para dançar, assim, completamente à luz, aos olhos dos que não entenderão nunca o que acontece quando as almas dizem sim.
domingo, abril 22, 2012
O tempo é só
As vezes fico em duvida se uso a Madalena ou se abro o verbo para dizer da dor que me corroi o estômago. É Madalena em sua boca carnuda, suas pernas grossas, seus cabelos longos e enrolados ou sou eu, essa pessoazinha largada nessa cama sentindo uma vontade imensa de morrer. Ou menos que isso, cortar os pulsos da palavra e dizer basta à esses sonhos juvenis.
O verbo, Madalena, é essa mentira que afofa a nossa cama mais não alimenta o nosso corpo. Ele continua pedindo, implorando algo que não existe e talvez não vá existir. E ai você inventa uns sons, espera a chuva cair e vira criança se molhando na esperança de acreditar que seu primeiro amor seria aquele que te resgataria de todas as tuas culpas.
Você vai gastar o seu verbo, Madalena. Vai dizer todo o alfabeto, vai recitar a coragem ao ouvido dele... vai dizer para ele o quanto ele pode e vai conseguir... mas ao final, ele consegue. E ele vai embora, porque você Madalena é apenas as asas que Deus deu aos outros... e não a você.
A noite tem esse poder de te isolar, Madalena e por mais que você chore e lamente com pena de si mesma, isso não vai ter a menor importância. Porque cada suor seu e cada lágrima que você derramou nessa caminhada só interessa a você mesma. Eles nem vão se importar com o rótulo que a vida vai lhe dar...
Nenhuma das tuas lágrimas vai encher o que você tem de fundo.
Eu estou sozinha, Madalena.
E você, sozinha comigo, pode nem achar graça dessa dor que me parte ao meio e me diz o tempo todo que o som da madrugada não é consolo é pesadelo.
Eu não morrer, Madalena. E sei que nem você. Mas as nossas asas nunca nos ensinaram que nós mesmas podíamos voar sozinhas....
Mas de que adianta não é? A noite é vã, a superficialidade ronda as rodas da cidade e nós, Madalena, continuamos esperando o asteroide B612, como crianças que não chegaram a crescer;
O verbo, Madalena, é essa mentira que afofa a nossa cama mais não alimenta o nosso corpo. Ele continua pedindo, implorando algo que não existe e talvez não vá existir. E ai você inventa uns sons, espera a chuva cair e vira criança se molhando na esperança de acreditar que seu primeiro amor seria aquele que te resgataria de todas as tuas culpas.
Você vai gastar o seu verbo, Madalena. Vai dizer todo o alfabeto, vai recitar a coragem ao ouvido dele... vai dizer para ele o quanto ele pode e vai conseguir... mas ao final, ele consegue. E ele vai embora, porque você Madalena é apenas as asas que Deus deu aos outros... e não a você.
A noite tem esse poder de te isolar, Madalena e por mais que você chore e lamente com pena de si mesma, isso não vai ter a menor importância. Porque cada suor seu e cada lágrima que você derramou nessa caminhada só interessa a você mesma. Eles nem vão se importar com o rótulo que a vida vai lhe dar...
Nenhuma das tuas lágrimas vai encher o que você tem de fundo.
Eu estou sozinha, Madalena.
E você, sozinha comigo, pode nem achar graça dessa dor que me parte ao meio e me diz o tempo todo que o som da madrugada não é consolo é pesadelo.
Eu não morrer, Madalena. E sei que nem você. Mas as nossas asas nunca nos ensinaram que nós mesmas podíamos voar sozinhas....
Mas de que adianta não é? A noite é vã, a superficialidade ronda as rodas da cidade e nós, Madalena, continuamos esperando o asteroide B612, como crianças que não chegaram a crescer;
sábado, abril 07, 2012
Lua Nua
Quando o carro buzinou em frente do prédio, Madalena pulou da cama. Chega de choro, vamos às ruas. Pegou sua pequena bolsa que no momento estava em poder do poodle que a puxara de cima da cama e mandou beijos para mim fazendo gestos com a mão. - Que horas vem? Gritei. - E eu vou lá saber? Sei lá se o papo é interessante? Ah, deixa eu ir, que meu amigo me espera.
Enquanto ela descia as escadas, prédio de três andares, a ansiedade de Madalena saiu deixando cheiro pelos corredores. Era um cheiro amadeirado. De onde vinha, eu não sabia. Mas abri a porta para deixar que a presença dela ficasse dando voltas de ir e vir.
Prender Madalena? Só o amor que tinha esse poder. Mesmo assim era temporário.Não se prendia Madalena.
[não te disse que a gaiola não prende e sim a porta aberta?]
Segui Madalena pelo cheiro. Não temos como nos separar. Ela vai, eu vou junto, como açude que sangra e as águas vão levando tudo que estiver pelo caminho. Eu vou junto, com a enchente que emana de seus poros e nem me seguro nos galhos que esbarro pela frente.
Ontem com o coração apertado, a pressão alta, e a cabeça vazia, eu a acompanhei em seu encontro. Na calçada, um rapaz dentro do carro a esperava. Alto, esguio, de óculos, figura bonita, sorriso largo, pele branquinha... Quando entramos, ele a beijou educadamente no rosto. A mim ele não viu. Só Madalena me sentiria naquele momento.
Queria sair das ruas. Queria ir para o apartamento dele. Talvez ouvir uma boa música, tomar um bom vinho, conversar amenidades. Não era sexo. Nada que fizesse ligação ou menção a isso. Por que os homens sempre acham que levar para casa era a concordância silenciosa de sexo? Não fazia sentido. Madalena só queria fugir em boa companhia. Conversar a noite inteira. Ninguém a esperava em casa. Senão eu, em corpo.
Pensou em propor mudar o roteiro. Ao invés da pista de dança, o aconchego de quatro paredes. Queria se esparramar no chão de alguma sala, discutir uma peça de teatro. Um filme. Uma música. Viu como andam as pessoas pelas ruas de São Paulo, tão assustadas olhando para os lados. Observou como elas seguram as bolsas? Diferente das que andam no comércio de qualquer cidadezinha do inteiror? Nada. Só a vida, o dia a dia. André, o moço que a esperava no carro, era apenas o seu amigo. Haveria sexo entre amigos? O que temem os homens ao se guardarem das amigas?
Madalena fizera silêncio durante o trajeto, até esbarrarem na entrada da boate. Um lugar aconchegante, meia luz, seguranças na porta, uma moça gentil veio nos receber. André desceu do carro, abriu a porta para Madalena e ficou tonto quando sentiu o seu cheiro. Ela estava linda. Por um momento, André quis esquecer que eram apenas amigos. Bons amigos.
Eu me agarrei a ela com medo de ser deixada no banco de trás. Entramos. Carla Bruni cantava quase que sussurrando como música ambiente. Como podia isso? Ia acabar com Madalena. Se ela tomasse um vinho, fragilizada que estava ia pegar mal.
E se ela não se contivesse e beijasse André? E se ele a recusasse? E se pensasse que ela estaria apaixonada? E se no outro dia ele sumisse de vista? E se ele pensasse mal dela? E se ela chorasse quando se embriagasse? E se risse demais, escandalizaria o ambiente? Madalena queria mesmo era o aconchego do seu apartamento. Para chorar, como queria naquela bendita noite. E isso, não implicaria, nem de longe a fazer sexo com André.
Quando o vinho já fizera um certo efeito, vi Madalena sorrir intensamente. Menos mal, poderia chorar, como seria o óbvio pela dor de sentia. Mas ela sorria das reservas do André. Quando ele a chamou para dançar, sob a induções dela, Madalena ajeitou as madeixas sobre os ombros, e dirigiu-se ao salão do dancing desejando ardentemente que fosse ele, o seu amor do Rio.
A música a conduzia, como pluma nos braços de André. E ele se permitiu, ao menos aquela noite, ser daquela mulher, em corpo, amizade, e coração. Porque de Madalena seria difícil fugir estando ela envolvida nas teias do vinho e da sedução. Que importava o dia de amanhã, se o vinho era bom e não prometia mal estar?
sexta-feira, março 30, 2012
Anjo
E todos dos dias, entre uma guerra e outra, soletro o seu nome para nunca esquecer de mim. Um dia essa dor acaba, essa lágrima seca e essa falta se enche da tua presença em mim.
Saudade, anjo. Cada palavra sua, cada toque, cada aparição repentina e do nada me inspira, me renova e renova em mim as suas penas.
terça-feira, março 27, 2012
e quando você vier...
a fome é o avesso do homem e o que me consome toda vez que
penso em você. É entrar por uma porta, sair pela janela, pintar o quadro sobre
a paisagem morta e ver você em 3D. Eu
sinto fomes, quase insuportáveis de dizer. Dessas que as pessoas não
compreenderiam e achariam um absurdo, mas cada vez que fecho os olhos é a tua
pele que se desenha o seu olhar sobre o meu. Pele de umidades e de desejos.
sim, eu tenho a fome de todo o dia, a hipocrisia de não
dizer abertamente que eu o amo. Assim, meu amigo, aberto o livro em que escondo
de ti a palavra vida soprada na minha cara com um gosto de chocolate que arde
entre os meus punhos...
[é a tua mão que arde entre a minha, é a tua pele que
escorre entre os meus dentes, é a tua falta que escreve em mim a tua poesia]
e eu te desenho em branco e preto, com a esperança de que um
dia, a cor da minha voz seja a tua melodia e a minha falta seja o que te escreve
fome nas tuas entranhas.
porque tudo em mim é você e o que me falta ainda tem a tua
assinatura em branco de detalhes.
a minha mão repousa sobre a tua ausência e cobre as tuas asas que se espalmam em mim. tu és o q me falta e a rua fica mais larga quando a tua palavra cala e some entre as entrelinhas.
o que me sobra é o que tu calas. e quando vens, eu respingo em festa e tudo em mim acorda e sonha.
Dira Vieira
Dira Vieira
sábado, março 03, 2012
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