sábado, fevereiro 18, 2012
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
se essa rua...
em mim
fiz estrada de pouso para o teu corpo
fluir
deite-se sobre mim
sou tua estrada
e a marca
da minha fome
saciada.
não há em mim outra
fala
e nem
língua
que se cale
eu sou
silêncio
e
asas
abertas
se a minha boca
fosse minha
mandava
fazer barulho e festa
na tua presença.
se essa rua, se essa rua...
e a minha amplidão soletra o teu nome
o dia inteiro.
dira vieira
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
Emocional
As vezes não tem jeito. O tempo fecha. O dia finda. E você percebe que por mais que tenha preenchido as suas fugas, o espaço dele ainda está ali, em vácuos de permanência latente.
Em mim, as esperas cansam e os lábios secam de tanto lamber a palavra cria.
Essa falta que me arde, tem a estatura e a dimensão da sensibilidade do homem que veste asas e desfila amor em minha companhia.
Dira
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Ali no longe
E toda vez que sofro, sou você. E toda vez que me reviro no viver, sou eu. Mas todas as vezes que pensar cheiros, seu nome é o que pinto em lilás na minha saudade sobre todas as coisas que recrio.
(quando te vejo o meu azul veste a tua pele e sai nu por ai)
Ali, naquele lugar onde o abismo era a tua palavra, deixei para sempre os meus pés na calçada, porque o que é de mim, vem atrás, e o que não me pertence desce a rua e dobra a esquina para nunca mais.
O que conto de nós é essa saudade e cartas escritas no imaginário profanando sonhos, promessas de luas cheias e verbos conjugados.
Chegamos tarde em todas as vidas e ali, o retrato da família se expande em um letreiro em neon. Lar, doce lar é o aviso de cão feroz no quintal. E o meu olhar se despede e volta, com a covardia da sobrevivência a calçar as asas que se atrofiam diante da impossibilidade do beijo.
... toda a vez que acender o batom como cigarro em uma noite insone, lembrarei o beijo que fiquei devendo ao senhor do tempo e do mar.
O meu amor, esse, abriu as asas e se escondeu de mim.
Dira Vieira
Gomos de saudade
Alguns
pedaços em Madalena são como gomos de uma laranja, onde o suco escorre como se
o mundo fosse um espremedor agressivo e impiedoso. E é. Ela deixa escorrer o
medo e se desfaz em voltas que as rimas formam em sua cabeça – há ventos no céu
da boca quase insuportáveis de administrar, ela comanda os próprios furacões e
nada posso fazer aqui de fora, já que todas as suas falas pronunciam o nome
dele. Anda sozinha, sorri sozinha e as vezes até é monstro sozinha: cada passo
é em falso e um precipício chamando o outro, conta estórias que não quer
esquecer. Não pode reativar os laços porque na verdade, tudo nela é o contrário
e desliza desejos, mas se inspira na falta e a palavra dele é cântaro suave
naquela janela. Gosta de ler o moço quando a saudade é poesia concreta ardendo
na boca.
Madalena cansa das escolhas que faz e mete o verbo no chão com medo do que é possível, como se isso fosse cacos de idéias e relatos de uma paixão. Todas as palavras se ressentem da inspiração que só ele lhe sussurra. (E quando voava ao lado dele, nunca a inspiração foi tão farta e a alma tão leve nas promessas dos beijos futuros).
Ela finge que nem lembra, mas cada vez que olha, o atrás é seu espelho e pesadelo. A boca dele em concha é o alimento tátil e a sua prestação mais sofrida. Quando o amor resseca na boca, é necessário antibióticos fortíssimos para sarar as ausências. Não sei como sobreviveu sem estrelas até agora.
Quando caminha, a volta é o frio e todas as portas traduzem gritos, quem é ela para compor o intervalo e pedir que ele olhe o retrovisor? O que sinte já nem faz eco, e a letra que soletra já não escreve o nome dele porque esqueceu de suas vogais. Uma lacuna e um verso não escrito, milhas e milhas de rimas que tentou compor e era cara aquela falta.
Há curvas no tempo e todas as vezes que tenta, o soneto é tempo no verbo passado, que bem podia ser perfeito.
(Uma roda de amigos, conversas ao vento, o pensamento nela, e o moço sentado na frente da televisão compunha uma novela que nunca teria final, muito menos feliz. Esqueceu que não sabia inglês, e o The End ficou sem eco, pixado no muro em frente ao hotel).
Madalena se ressente do que não viveu e a sua alma soletra a poesia rota que o tempo atropelou e marcou a carne viva.
Toda vez que canta pensa no ontem. E cada vez que grita, as paredes de sua pele reeditam o dia em que, o que não volta, faz sombra pela eternidade. Nunca esquecerá que no abraço descobriu outros mundos e outras paisagens invisíveis. E isso será imputado em sua culpa para o sempre. E o presente dado, não pode ser devolvido, porque já pertence ao cenário do pesadelo.
Prefere as cenas, reescreve os diálogos: toda a falha é síntese que ela não consegue reemprimir páginas arrancadas bruscamente de si. O livro é antigo, e a história sempre começa pelo fim sem direito a reprise de inconseqüências. Ainda bem que o beijo quando nunca, repete-se no final.
Madalena tem sonhos em vantagem e toda intenção é o receituário de escolhas. Sabe o que faz todas as vezes que volta. E a essa despedida arranha na pele como viagem sem volta – o bilhete é só de ida e o destino, incerto.
- os cachos em seu cabelo são como maçãs desse rubor facial. liga o play e tudo lhe revira o estômago e vomita o morno.
Em todos os dias em que não se desenha na fita, Madalena é angústias de uma alegria passada. Não se pode condenar o tempo por promessas não pagas.
Madalena cansa das escolhas que faz e mete o verbo no chão com medo do que é possível, como se isso fosse cacos de idéias e relatos de uma paixão. Todas as palavras se ressentem da inspiração que só ele lhe sussurra. (E quando voava ao lado dele, nunca a inspiração foi tão farta e a alma tão leve nas promessas dos beijos futuros).
Ela finge que nem lembra, mas cada vez que olha, o atrás é seu espelho e pesadelo. A boca dele em concha é o alimento tátil e a sua prestação mais sofrida. Quando o amor resseca na boca, é necessário antibióticos fortíssimos para sarar as ausências. Não sei como sobreviveu sem estrelas até agora.
Quando caminha, a volta é o frio e todas as portas traduzem gritos, quem é ela para compor o intervalo e pedir que ele olhe o retrovisor? O que sinte já nem faz eco, e a letra que soletra já não escreve o nome dele porque esqueceu de suas vogais. Uma lacuna e um verso não escrito, milhas e milhas de rimas que tentou compor e era cara aquela falta.
Há curvas no tempo e todas as vezes que tenta, o soneto é tempo no verbo passado, que bem podia ser perfeito.
(Uma roda de amigos, conversas ao vento, o pensamento nela, e o moço sentado na frente da televisão compunha uma novela que nunca teria final, muito menos feliz. Esqueceu que não sabia inglês, e o The End ficou sem eco, pixado no muro em frente ao hotel).
Madalena se ressente do que não viveu e a sua alma soletra a poesia rota que o tempo atropelou e marcou a carne viva.
Toda vez que canta pensa no ontem. E cada vez que grita, as paredes de sua pele reeditam o dia em que, o que não volta, faz sombra pela eternidade. Nunca esquecerá que no abraço descobriu outros mundos e outras paisagens invisíveis. E isso será imputado em sua culpa para o sempre. E o presente dado, não pode ser devolvido, porque já pertence ao cenário do pesadelo.
Prefere as cenas, reescreve os diálogos: toda a falha é síntese que ela não consegue reemprimir páginas arrancadas bruscamente de si. O livro é antigo, e a história sempre começa pelo fim sem direito a reprise de inconseqüências. Ainda bem que o beijo quando nunca, repete-se no final.
Madalena tem sonhos em vantagem e toda intenção é o receituário de escolhas. Sabe o que faz todas as vezes que volta. E a essa despedida arranha na pele como viagem sem volta – o bilhete é só de ida e o destino, incerto.
- os cachos em seu cabelo são como maçãs desse rubor facial. liga o play e tudo lhe revira o estômago e vomita o morno.
Em todos os dias em que não se desenha na fita, Madalena é angústias de uma alegria passada. Não se pode condenar o tempo por promessas não pagas.
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Campo de pouso
Ele me calou com o dedo
molhado de café em minha boca. Não dissemos uma palavra. Não havia mais nenhuma
para ser dita. Tudo estava como deveria estar desde o primeiro dia. Não há o
que se esperar da covardia das pessoas. Eu sempre tive a sorte (ou não) de ter
covardes para o jantar.
Aquilo não foi uma
despedida. Aquilo nem sequer era alguma coisa que se pudesse contar em alguma
história de amor. O moço dobrou a esquina e sei que sofria. Mas em mim a
covardia dele era um prato amargo de se consumir.
Eu quis gritar. Quis ir
atrás, implorar, acho que metade de mim foi com ele e ainda assim, eu quis ir
por completo. Mas era pouco o que eu sentia para ir com ele naquela aventura de silêncios.
A dor era tão grande que
chegava a desenhar vulcões em erupção sobre a minha pele. Pele de dores e de
desencantamento. Vi tudo o que estava por trás como se fosse a mim revelado
toda a farsa da covardia.
Eu chorei. E morri os dias
seguintes até que conseguisse sepultar todos os meus mortos e as minhas
lágrimas amargas e tão desnecessárias. Mas sou assim mesmo... o tempo de luto é
o tempo de recompor meus limites.
Quando o dia amanhecer após
uma noite longa de choro e de dor... eu ainda estava ali, esperando por ele, o
mesmo moço que morava em mim, mesmo depois de ter tentado colorir outra cor,
onde a pele dele era a minha tatuagem perfeita em minha alma e pele.
E todos os dias, alimento a
partida, como único recurso para chamar para mim a parte que foi e que me faz
falta quando espero os dias úmidos em minhas entranhas para agasalhar o frio de
alimentar sonhos... antes que a parte que me cabe também vá em homenagem a ele.
Dira.
segunda-feira, janeiro 30, 2012
Plantando chuvas...
É quase certo que ele saiba o sentimento que me povoa a
pele. Sinto isso quando olho sempre para os lados e posso sentir a sua
respiração perto. Respiração de quem ama, mas não vem.
O dia me chamou para uma conversa séria e eu chorei. Sabia
que as lágrimas não cessariam enquanto os pedaços cortados em atitudes não
fossem rejuntados. Me fiz rio e mais que um simples choro, tornei-me um
vendaval incontrolado de dor. Uma dor quase insuportável que me fez vários
fragmentos de vontades e decepção.
Eu me inundo. E faz tempo que não me banho nessas águas de
dores porque tenho aprendido a domesticá-las e mantê-las longe onde não causem
danos... tenho aprendido a ler a lua, a entender as marés e a soltar o barco à
sua própria sorte. Mas viver é esse risco de embate e de contradições.
E hoje, essencialmente hoje, rios sufocam a minha pele e
escorrem pelas ruas onde tudo o que leio é o que falta nesse mar. Tenho em mim
que a respiração ofegante dele a qualquer momento vai me pedir para ficar e eu
vou continuar plantando as chuvas de uma alegria quase impar de se ver.
Não vou fotografar meu riso quanto tantas vezes fotografei a
dor. Que a minha alegria de ventos seja para sempre guardada nas fendas das
montanhas longe de todo olhar que me afaste dele. Tenho em mim a ausência da
alegria e parece que o tempo não vai parar por causa disso.
Abro os braços enquanto solto a direção na estrada. Nem sou
anjo, nem piloto ventanias, mas o que tenho isso espero, a minha voz em
protesto e o meu amor como casaco de pele.
Eu espero, plantando as chuvas como quem calça chinelos.
- Deixo para ele as "reticências de Deus".
domingo, janeiro 29, 2012
Bomdiadomingo
O dia me assalta, me joga da cama contando estorinhas para boi dormir. Mas eu já acordei. E a cama quentinha é apenas uma imagem na lembrança.
Vamos ao mar e a minha esperança se rende em família.
Que venha o sol.
sexta-feira, janeiro 27, 2012
Casulas comigo?
Wings of Desire, fotografia de Michael Matlach, 1989. EUA.
abri as mãos como se fosse possível encontrá-lo dentro delas. mãos úmidas de esperança, o coração que soletra seu nome e a vontade de adivinhar-lhe as asas.
trago a boca ainda ávida de sua voz como se a sua pele fosse posta em mim como uma tatuagem antiga. era você em mim desde o princípio e tudo o mais que se fizer palavra depois disso se tornou uma repetição de parágrafos, esperas úmidas.
a minha voz embargada dos dias que acordam longe de você tem o momento exato da falta de sua pele na voz rouca que sussurra o seu nome...
abri meu corpo para procurar você e me encontrei debaixo de suas asas.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Herança
Porque em mim o que de ontem e hoje vira fim de festa em meu estômago, desenha os vácuos em transparências de suas faltas.
Se você não vem eu me embrulho e seco pois sou como as aves e as folhas largadas de suas peles...
em mim, o que restou é pele molhada sobre mim.
Dira
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