E quando a tarde se vai em uma melodia de longe, muito longe, me coloco submissa ao que acredito. Faz de conta que nem estou tão sozinha e que o que acredito se coloque como realidade sobre a minha paisagem.
E se a palavra ainda me construir, me coloco de braços abertos ao que velo e ao que sinto, como quem se coloca no altar ao que for mais importante.
O que sinto tem endereço e chama para si uma imensidão de sons e gestos que só são perceptíveis a quem como eu, vê ao longe e ao largo esse desejo tão grande de chover, onde terra seca era a palavra prática que ensaiava a esperança.
Todas os verbos recriam em mim uma modalidade inesperada de renascer, quando todas as ordens já tinham sido dadas em contrário.
Eu existo, e o verbo em mim me renova em contrário.