segunda-feira, janeiro 16, 2012

Eu me pertenço ao que acredito


E quando a tarde se vai em uma melodia de longe, muito longe, me coloco submissa ao que acredito. Faz de conta que nem estou tão sozinha e que o que acredito se coloque como realidade sobre a minha paisagem.

E se a palavra ainda me construir, me coloco de braços abertos ao que velo e ao que sinto, como quem se coloca no altar ao que for mais importante.

O que sinto tem endereço e chama para si uma imensidão de sons e gestos que só são perceptíveis a quem como eu, vê ao longe e ao largo esse desejo tão grande de chover, onde terra seca era a palavra prática que ensaiava a esperança.

Todas os verbos recriam em mim uma modalidade inesperada de renascer, quando todas as ordens já tinham sido dadas em contrário.

Eu existo, e o verbo em mim me renova em contrário.
Anjo, não consigo responder lá nos comentários, vai aqui sua resposta com fundo musical:




há beijos e beijos. acho que eu ainda espero o beijo avassalador. aquele q espero e que começa em uma outra dimensão pode nem ser físico, há outros beijos em nossa escala de encantamento, não é mesmo, anjo?

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Oração





Os olhos meus acordaram esperando o fim da rua de quem não sabe onde mora a minha ausência.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

O beijo que falta

"Tenho diversos beijos guardados: o nao sei; o acidental; o sexual; o teimoso; o noivado; o atrevido, o absoluto, o etc e tal e o q falta!" Irapuan Sobral


Quando tudo se esconde em uma página de um livro que nunca lemos, a saudade se torna uma poesia declamada em um vídeo que você descobre por acaso, enquanto vasculha páginas a ermo na internet. O nome dele tem o tamanho da minha ansiedade. E a angústia da caverna em assusta e me acumula desejos.

Eu guardo os beijos que nunca dei. E a lembrança do que não vivi forma círculos em minha cabeça como uma novela escrita em Braile sobre a minha pele... é amor, eu sei... e o dia se torna mais longo.

E se ao menos ele me saísse de minha cabeça eu iria lá fora, respirar outro ar e voltar aqui, para trabalhar.

terça-feira, janeiro 03, 2012

A falta é a minha resposta em lugar da dúvida


O que me falta é o que excede na minha dúvida. E quando ele me olha do nada respondendo às perguntas que nunca fiz, o meu coração se reparte em culpas. Eu sou de março e ele é abril e todas as falas remetem a um setembro de sonhos fragmentados em um quebra cabeça que ele não montaria se eu não tivesse rompido os laços.

Eu acalentava a verdade como quem guarda um tesouro que se descoberto mudaria todas as falas. E eu abri todas as portas, porque em mim o vácuo era a fala dele com nome e sobrenome de vida. E a vida, essa que adornamos em fitinhas e lacinhos coloridos e colocamos uma moldura rosa para pregar na parede dos vizinhos, é a que menos me interessa. Porque o meu sangue desce pelos poros e respira ausências de tantas esperas.

Exibimos o perfeito de nossas máscaras. O melhor sorriso, o melhor batom, a roupa comprada para a festa, a simpatia dos casais na pracinha da cidade, o sorvete que não amarga, o chocolate nunca amargo, a lingerie comestível, a pipoca na sala e o filme na cabeça. Dentro em nós, outros tons, outras dores, outros amargos de feira e o sorriso, sem clareamento dental mostra a tatuagem do dente e do dentro, onde tudo é metade nós mesmos.

Eu poderia fingir. Nomear as angústias, revelar minhas ausências, dizer o que não consigo nem sonhar... mas em mim, a palavra tomou a forma de nada e calou-se farta de tantas leituras e silêncios.

Estou aqui.
E isso pouco importa a essa noite.

domingo, novembro 20, 2011

O dia me leva ali longe. Eu preciso do amor que sinto por ele, guardado em mim para que não faça dano a ele, nem a mim, mais que do que já fez por existir.


quinta-feira, maio 20, 2010

inventando ruas onde o abismo é sonho

o dia me pesa onde a saudade é queda e água e eu me procuro nos espelhos da casa tateando o que de dentro em mim é imagem e som – a voz dele é o meu silêncio quando preciso acordar. tenho o que me farta como melodia que se inscreve e arde como tatuagem marcada a ferro em brasa. ele me toca e o meu corpo se dobra em medo e contentamento.

está em mim o dia inteiro, quando tenho raiva e desesperadamente lavo de minha pele o seu cheiro, chuva temporã, dias frios, tempestades de vontades e de saudades. estou nele quando a fome é sinal aberto para falta de medo e grudo nele até quando sou covarde.

no dentro dele minha noite é desculpa de não fazer nada, fechar os olhos, aguçar a memória e ver a estrada em 3D me trazer de volta: menina cansada de tantas batalhas numa Madalena que em muitas vezes é vulto em ruas desertas.

é azul o nome que escolho para sorrir em esfinge. e se eu morro, deixo de herança ao lado do vestido estendido sobre a cama o último beijo, a poesia desidratada e aninhada sobre o peito do que foi ontem e é hoje, um aboio - não de tristeza - mas de quem sorri quando a noite cai.

(ele é em mim na flor guardada no meio do livro de Neruda. ele lia Neruda e hoje já não entende mais, desconfio até que tenha queimado meus livros e cartas).

e quando já não for, é como fechar os olhos nele, porque todas as tardes em rosa chiclete improvisam o desejo e um moço, mochila pendurada nas costas, a espera do que já veio. eu até digo tantas vezes que o amo, mas isso já não faz diferença nem em ouvir a mim mesma. se for verdade, é apenas uma música de uma balada difícil de ser tocada em qualquer rádio. ele é esfinge e eu, poesia decifrada. até finjo dormir para o tempo passar e o desejo morrer de sede.

em mim ele é um desenho, um homem de cabelo grande, sorriso de felicidade como marca sobre a minha saudade (não tente entender o vácuo que se forma: só quem transpira desertos podem dispor de angústias).

ele é em mim quando a chuva cai, quando o telefone toca e quando o ontem veste um vermelho sangue e se molda em mim grávido para vestir outro dia.

(lembra daquele toque? a sua mão vestiu a minha em luva e o dentro exorcizou minhas faltas. não quero qualquer ontem, nem qualquer beijo, nem qualquer riso, quero o impossível, porque o fácil não me resiste nem redime).

o que guardo, de desertos é professor. e quando o silêncio se finge de morto, eu sei que o moço sabe, mas assim mesmo, vira para o outro lado e dorme.

sou nele quando o tempo é inteiro e quando se parte, o perto tem mais quilômetros que o distante. e no meu dentro o rádio toca aquela música e não se toca de tanta vergonha. em mim, tudo pensa ele, até quando não durmo e sonho.

ele é em mim a noite inteira quando o beijo é outra boca. e quando o digo, o silêncio corta o som e apaga o bom.

(eu até penso nele, e já nem sinto raiva).

Dira Vieira